{"id":5839,"date":"2018-04-29T14:25:00","date_gmt":"2018-04-29T12:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cglem.org\/para-alem-de-babel\/"},"modified":"2025-06-13T11:25:17","modified_gmt":"2025-06-13T09:25:17","slug":"para-alem-de-babel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/montebelli-pt-pt\/para-alem-de-babel\/","title":{"rendered":"Para al\u00e9m de Babel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\">Caro leitor na forma adequada de sauda\u00e7\u00e3o!<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>&#8220;No princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. [&#8230;] Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.&#8221;<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O pr\u00f3logo do Evangelho de Jo\u00e3o, um dos livros sagrados da Ma\u00e7onaria, por um lado identifica Jesus com o Logos divino, enquanto por outro lado testemunha a sua humanidade.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Tudo o que Jesus diz e faz \u00e9 a palavra d&#8217;Aquele que \u00e9 a Palavra eterna, \u00e9 um sinal que remete para a Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo em Cristo feito homem.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que, em hebraico, a palavra &#8220;dabar&#8221; indica ao mesmo tempo &#8220;palavra&#8221; e &#8220;ato&#8221;, &#8220;acontecimento&#8221;: \u00e9 a palavra que se realiza e se torna realidade. Como em &#8220;Deus disse: &#8216;Fa\u00e7a-se a luz&#8217; e fez-se a luz&#8221;: a palavra divina exprime a obra do Criador, \u00e9 uma palavra criadora, uma palavra que se torna ato no momento em que \u00e9 pronunciada.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O conceito de Palavra ou Som gerador, capaz de criar ex nihilo, encontra-se tamb\u00e9m noutras culturas: por exemplo, a palavra &#8220;Abracadabra&#8221; vem do aramaico &#8220;Avrah Kadabra&#8221;, que significa &#8220;criarei o que digo&#8221;, &#8220;criarei como falo&#8221;.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Na religi\u00e3o hindu, que deriva do bramanismo e dos textos sagrados dos Vedas, descobrimos a s\u00edlaba, ou melhor, o som &#8220;Om&#8221;, que \u00e9 o mantra mais sagrado e representa a s\u00edntese e a ess\u00eancia de todos os mantras, rituais, textos sagrados ou aspectos do Divino.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O Om \u00e9 considerado como o som primordial que deu origem \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, uma cria\u00e7\u00e3o que \u00e9 interpretada como a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o deste som. Do O\u1e43 vem o conhecimento sagrado, o triplo: O\u1e43 \u00e9 o Brahman, O\u1e43 \u00e9 o universo inteiro.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Pit\u00e1goras afirmava que &#8220;Deus geometriza&#8221; e que &#8220;a Geometria das formas \u00e9 m\u00fasica solidificada&#8221;, como se o som pudesse gerar formas s\u00f3nicas e estruturar a mat\u00e9ria: como se a mat\u00e9ria fosse uma forma s\u00f3nica solidificada.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Logos \u00e9, portanto, a palavra criadora, que se encarna em Cristo; mas, ainda antes disso, na cosmogonia hebraico-crist\u00e3, transmitida no Livro do G\u00e9nesis, o Logos encarna-se no resultado final da Cria\u00e7\u00e3o: o homem.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva &#8220;\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus&#8221;, a perman\u00eancia no Para\u00edso Terrestre e a posterior expuls\u00e3o do \u00c9den representam, de facto, o primeiro grande mito da separa\u00e7\u00e3o.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Segundo todas as tradi\u00e7\u00f5es da humanidade, de forma velada ou expl\u00edcita, a atual condi\u00e7\u00e3o humana de sofrimento e degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado de um drama c\u00f3smico: o drama do obscurecimento intelectual do Homem Espiritual, o Adam Qadmon da Cabala judaica, o Homem Universal do esoterismo isl\u00e2mico, que \u00e9, na origem, o livre senhor da cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que a tradi\u00e7\u00e3o exot\u00e9rica crist\u00e3 descreve como o &#8220;pecado original&#8221;, a desobedi\u00eancia.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A separa\u00e7\u00e3o resulta, de facto, de um ato de desobedi\u00eancia: Ad\u00e3o come o fruto da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal, desobedecendo a Deus que o tinha proibido, pois o conhecimento do bem e do mal t\u00ea-lo-ia tornado de facto igual a Ele.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Mas este ato de desobedi\u00eancia pode tamb\u00e9m ser visto como um ato extremo de coragem na busca da Verdade, talvez o primeiro de uma longa s\u00e9rie de ac\u00e7\u00f5es que caracterizaram o caminho do Homem, expulso do Para\u00edso e for\u00e7ado a viver na Terra: um caminho que, como veremos, n\u00e3o tem outro objetivo sen\u00e3o a busca constante da Verdade e o regresso ao Uno indiviso.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O homem tem ainda uma centelha divina de luz que o torna capaz de receber o Logos, de compreender, ou melhor, de perceber a mensagem que lhe permite retomar a consci\u00eancia da sua natureza luminosa profunda e restaurar o seu estado original de Homem Espiritual livre e indiviso.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Chegamos assim ao segundo mito de separa\u00e7\u00e3o, fundamental no percurso da Humanidade, representado pela Torre de Babel: antes de Babel, diz-nos o mito, todos os homens da Terra falavam uma s\u00f3 l\u00edngua e usavam as mesmas palavras.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Diz o mito que um povo emigrou do Oriente para uma plan\u00edcie na aldeia de Sennaar e a\u00ed se instalou; decidiram construir uma cidade e uma torre para alcan\u00e7ar os c\u00e9us, de modo a fazerem nome e n\u00e3o se dispersarem pela Terra.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Mas, mais uma vez, Deus interveio e confundiu a sua l\u00edngua, fazendo com que as pessoas deixassem de se entender: Deus queria-os espalhados por toda a Terra.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Neste mito encontramos novamente o tema da divis\u00e3o, como se Ele, depois de ter aprisionado a humanidade na Terra, quisesse impedi-la de se reunir (religio, em latim) com o Todo-Poderoso: a constru\u00e7\u00e3o da Torre n\u00e3o \u00e9 mais do que a tentativa do Homem de &#8220;aspirar ao C\u00e9u&#8221; j\u00e1 durante a sua vida terrena ou, por outras palavras, de se comparar com Deus.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Vale lembrar que a Torre de Babel \u00e9 chamada de Etemenanki em sum\u00e9rio, cujo significado original \u00e9 &#8220;casa dos fundamentos do C\u00e9u e da Terra&#8221; ou ainda &#8220;pedra angular do C\u00e9u e da Terra&#8221;.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Numa interpreta\u00e7\u00e3o mais coerente com a vis\u00e3o da Ma\u00e7onaria, poder\u00edamos dizer que o Deus descrito na B\u00edblia castiga os homens, dispersando-os pelos quatro cantos da Terra, porque eles tentaram colocar a pedra angular da Torre, ou Templo, destinada a reunir a Terra e o C\u00e9u.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A queda do \u00c9den e a di\u00e1spora depois de Babel s\u00e3o, portanto, dois mitos fundamentais de separa\u00e7\u00e3o contados pelos textos sagrados, que partilham um sentido aleg\u00f3rico de puni\u00e7\u00e3o por um ato de desobedi\u00eancia: o Homem que quer ser como Deus, ou talvez eu diria o Homem que quer reunir-se a Deus, que quer encontrar o Divino dentro de si.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Ambas, de facto, permanecendo naturalmente dentro do mito e sem qualquer observa\u00e7\u00e3o teos\u00f3fica e religiosa, s\u00e3o pren\u00fancios de efeitos extraordin\u00e1rios: da queda de Ad\u00e3o e Eva na Terra nasce a Humanidade, enquanto da di\u00e1spora de Babel nascem l\u00ednguas, culturas, grupos \u00e9tnicos, na\u00e7\u00f5es. Um caminho de separa\u00e7\u00e3o, portanto, que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio, mas que deu origem a uma das maiores riquezas da Humanidade: a diversidade, a multiplicidade. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Como sempre acontece, se por um lado come\u00e7a um caminho de divis\u00e3o, de diferencia\u00e7\u00e3o, de individualiza\u00e7\u00e3o, por outro lado come\u00e7a um caminho muito mais complexo e longo de reunifica\u00e7\u00e3o, de regresso dos muitos ao Um.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Ao longo do tempo, a Sociedade Profana tentou muitas vezes criar artificialmente l\u00ednguas universais, ou seja, l\u00ednguas capazes de serem compreendidas por todos para al\u00e9m das barreiras lingu\u00edsticas. Por exemplo, podemos mencionar o dinheiro: tem a sua pr\u00f3pria linguagem universal, um conjunto de regras precisas partilhadas a n\u00edvel global que permitem que todas as moedas do mundo falem umas com as outras, em todos os pa\u00edses do mundo, 24 horas por dia, 365 dias por ano. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Da mesma forma, ap\u00f3s o fracasso do Esperanto, a Sociedade Profana elegeu a l\u00edngua inglesa como a l\u00edngua padr\u00e3o de facto a n\u00edvel mundial: embora n\u00e3o seja a mais difundida no mundo, apenas a terceira depois do mandarim e do espanhol, \u00e9 certamente a l\u00edngua mais funcional para este fim. Em primeiro lugar, porque \u00e9 a l\u00edngua de refer\u00eancia do modelo econ\u00f3mico hegem\u00f3nico global, de raiz americana e anglo-sax\u00f3nica, e depois porque \u00e9 uma l\u00edngua simples ou, para ser mais preciso, uma l\u00edngua dif\u00edcil de falar bem mas f\u00e1cil de falar de forma simplificada. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Por isso, \u00e9 perfeitamente adequado para este fim.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Em suma, a Sociedade Profana escolheu como l\u00ednguas universais aquelas que t\u00eam a estrutura de um protocolo: sistemas de regras partilhadas, comummente adoptadas por todos, que permitem \u00e0s pessoas, mas melhor ainda \u00e0s m\u00e1quinas, comunicar entre si.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Eis a quest\u00e3o: as l\u00ednguas universais da Sociedade Profana s\u00e3o instrumentais. N\u00e3o nasceram para ajudar os homens a compreenderem-se melhor uns aos outros, a comunicarem pensamentos, sentimentos e emo\u00e7\u00f5es. N\u00e3o visam o di\u00e1logo, a compreens\u00e3o m\u00fatua, a empatia e, por conseguinte, a uni\u00e3o dos homens para os tornar mais iguais, mais livres e, em \u00faltima an\u00e1lise, mais irm\u00e3os.  <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, foram concebidos com o \u00fanico objetivo de trocar informa\u00e7\u00f5es, necess\u00e1rias para que o mundo profano funcione de acordo com os modelos, as regras e, sobretudo, os limites impostos pelos modelos econ\u00f3micos dominantes que se sucederam ao longo do tempo.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Esta \u00e9 a raz\u00e3o e o limite do fracasso das linguagens universais profanas: n\u00e3o serem capazes de ir ao fundo da alma humana para captar e comunicar a ess\u00eancia, que n\u00e3o reside na linguagem da mente, mas na do esp\u00edrito.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>No entanto, h\u00e1 algumas linguagens universais que conseguem atingir esse objetivo: por exemplo, a m\u00fasica, como todos n\u00f3s experiment\u00e1mos pessoalmente na noite passada. A m\u00fasica exprime-se numa linguagem que ultrapassa as distin\u00e7\u00f5es da l\u00edngua, da cultura, da na\u00e7\u00e3o: diz-se que a m\u00fasica jazz nasceu nos casebres de Nova Orle\u00e3es porque as pessoas falavam cinco l\u00ednguas diferentes e n\u00e3o se entendiam, e a \u00fanica forma de comunicar era o jazz. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A m\u00fasica sabe chegar a todos atrav\u00e9s de caminhos que ainda nos s\u00e3o parcialmente desconhecidos, mas que passam pela nossa ess\u00eancia profunda, por aquilo que realmente somos, para al\u00e9m de qualquer superestrutura: A m\u00fasica \u00e9 o fio que cose a mente ao cora\u00e7\u00e3o.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>At\u00e9 a linguagem corporal \u00e9 universal, especialmente a sua express\u00e3o m\u00e1xima representada pela sexualidade. Uma sexualidade sagrada, que identifica no rito sexual uma fonte de energia, como nos rituais t\u00e2ntricos que utilizam esta energia para &#8220;fundir&#8221; o duplo no uno, ou uma redescoberta do poder criativo, regenerador e transformador do ato sexual, como no Culto da Grande M\u00e3e, que associava os ritos sexuais aos ritos de fertilidade da M\u00e3e Terra. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que a Sociedade Profana, ao longo do tempo, demonizou e mercantilizou o ato sexual, fazendo com que os homens perdessem o contacto com a parte divina que a sexualidade santa nos permite redescobrir.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>E depois h\u00e1 a linguagem das ac\u00e7\u00f5es. Uma a\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais dif\u00edcil de interpretar mal: enquanto um discurso pode ser explorado, e mesmo a tradu\u00e7\u00e3o do pensamento de uma l\u00edngua para outra pode trair o significado original, uma a\u00e7\u00e3o fala por si pr\u00f3pria sem necessidade de descodifica\u00e7\u00e3o, revelando assim no gesto tanto a inten\u00e7\u00e3o como o destinat\u00e1rio e, finalmente, o caminho. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Como j\u00e1 dissemos, quando a palavra se torna um ato, tudo se torna claro, tudo se torna luz.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Gostaria de parar por um minuto, neste caminho, dirigindo um pensamento a todas as ac\u00e7\u00f5es que, com a sua clareza de prop\u00f3sito, iluminam como Luz Pura as nossas vidas, como ac\u00e7\u00f5es com o poder de varrer as sombras da d\u00favida e mostrar ao mundo o que \u00e9 muitas vezes invis\u00edvel.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Gostaria que o nosso pensamento se dirigisse a todos os Irm\u00e3os que, \u00e0 custa do sacrif\u00edcio extremo, movidos pelo sentido do dever e apoiados pela coragem que, se \u00e9 rara entre os homens, n\u00e3o o \u00e9 entre os F\u02d9. M.\u02d9., d\u00e3o a vida para salvar os inocentes; eu gostaria que o nosso pensamento, por um minuto, ** se o Oriente concordar **, fosse hoje para o Irm\u00e3o Arnaud Beltrame da R.\u02d9.L.\u02d9. Jerome Bonaparte no Oriente de Rueil-Nanterre, Fran\u00e7a.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>E, de fundamental import\u00e2ncia para n\u00f3s F.\u02d9. M.\u02d9., existe a linguagem dos s\u00edmbolos: uma linguagem bem conhecida por n\u00f3s, uma vez que tudo na nossa Irmandade \u00e9 simb\u00f3lico, tudo \u00e9 feito de s\u00edmbolos: usamos s\u00edmbolos e gestos rituais para nos reconhecermos uns aos outros &#8220;a partir dos sinais que mostramos&#8221;, e ainda mais para comunicarmos uns com os outros.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Os s\u00edmbolos t\u00eam origem em algo que foi dividido para ser montado de novo. No entanto, por vezes, um s\u00edmbolo manifesta-se aparentemente na sua totalidade, por isso, porque \u00e9 que lhe chamamos s\u00edmbolo? <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Porque a chave da descodifica\u00e7\u00e3o, ou seja, a outra parte do c\u00f3digo, a parte desconhecida, est\u00e1 na sabedoria do F.\u02d9. M.\u02d9. que foi iniciado e depois instru\u00eddo a reconhecer o s\u00edmbolo. Uma parte do s\u00edmbolo \u00e9 o que se tem, \u00e9 o que \u00e9 vis\u00edvel; a outra parte \u00e9 algo que se sabe, ou melhor, que se reconhece.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O pr\u00f3prio ritual, ao longo dos tr\u00eas graus da Ma\u00e7onaria Azul, \u00e9 um s\u00edmbolo actuado: estamos a viv\u00ea-lo hoje porque o nosso ritual \u00e9 feito de gestos, de sons, de ritmo, mais ainda do que de palavras. Todos n\u00f3s, que hoje nos encontramos juntos neste lugar simb\u00f3lico em si mesmo, j\u00e1 estamos a ir para al\u00e9m de Babel, porque o ritual que praticamos \u00e9 um s\u00edmbolo actuado e transcende as l\u00ednguas em que se exprime. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Ent\u00e3o, qual \u00e9 o caminho que o F.\u02d9. M&#8230; deve percorrer na sua experi\u00eancia inici\u00e1tica para ir al\u00e9m de Babel? Qual o caminho que levar\u00c6 os homens a se reconhecerem como irm\u00aaos, todos pertencentes a uma mesma Fam\u00edlia, a uma mesma Humanidade, a um mesmo N\u00f3s que pode finalmente superar a individualiza\u00e7\u00aao e ir al\u00d8m do Ego?<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>J\u00e1 vimos que as l\u00ednguas universais da Sociedade Profana n\u00e3o podem atingir este objetivo: foram concebidas de acordo com a l\u00f3gica racional, mas o conhecimento racional \u00e9 divisivo, porque funciona por an\u00e1lise, e por isso qualquer tentativa de procurar a unidade com a \u00fanica for\u00e7a da raz\u00e3o est\u00e1 destinada ao fracasso.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, o conhecimento intuitivo \u00e9 unificador, porque raciocina por s\u00edntese: por isso, o caminho esot\u00e9rico que supera o Ego, a separa\u00e7\u00e3o, a Babel dos homens deve necessariamente passar pelo N\u00f3s, pela consci\u00eancia de pertencer \u00e0 mesma Humanidade, \u00e0 mesma fam\u00edlia de Irm\u00e3os, para nos encontrarmos finalmente no Uno indiviso.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Depositar, olear-nos, tirar: como o iniciado aprende a tirar da pedra bruta para a transformar em pedra polida e depois em pedra c\u00fabica, como o escultor tira da pedra para deixar sair a est\u00e1tua escondida no seu interior, ent\u00e3o todos n\u00f3s F.\u02d9. M.\u02d9. devem ser escultores de n\u00f3s pr\u00f3prios. Aprendendo a retirar tudo o que \u00e9 superestrutura para aceder ao que \u00e9 ess\u00eancia, poderemos descer um degrau, do que \u00e9 linguagem para o que \u00e9 meta-linguagem: o s\u00edmbolo.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Todos n\u00f3s F.\u02d9. M.\u02d9., iniciados e instru\u00eddos na Arte Real, temos como miss\u00e3o primordial a busca da &#8220;Palavra Perdida&#8221;, e recriar novamente o estado Ad\u00e2mico, ressuscitando ap\u00f3s uma morte inici\u00e1tica como o nosso Mestre-S\u00edmbolo Hiram Abiff: assim, imitando Hiram, construtor do Templo de Jerusal\u00e9m, podemos reconstruir a sede da Luz e o nosso Templo interior dentro dos nossos corpos.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A palavra perdida \u00e9 o poder de criar: no preciso momento em que a humanidade se separou de Deus, perdeu-se o verdadeiro sentido da Palavra. E se a Palavra Perdida n\u00e3o fosse outra coisa sen\u00e3o o Logos criador? <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Reencontramos assim a mensagem do Evangelho de Jo\u00e3o, de onde partimos: o Logos fez-se homem, o poder divino criador e a sua criatura encontram-se e reconhecem-se como um todo. A descoberta da &#8220;Palavra Perdida&#8221; significa redescobrir-se a si pr\u00f3prio e a verdadeira natureza divina no homem, ou seja, tomar consci\u00eancia de que Deus e o homem partilham a mesma ess\u00eancia. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O c\u00edrculo completa-se: na nossa viagem esot\u00e9rica de reuni\u00e3o da nossa ess\u00eancia humana com a nossa ess\u00eancia divina, o s\u00edmbolo re\u00fane-se, permitindo-nos ser divinamente humanos.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Somos restos. Antes faz\u00edamos parte do Todo e depois fomos separados dele. Mas cada F.\u02d9. M.\u02d9. sabe que ele pr\u00f3prio \u00e9 tamb\u00e9m um s\u00edmbolo, pois seu destino \u00e9 reunir-se ao Todo de onde prov\u00e9m e que chamamos de G.\u02d9.A.\u02d9.O.\u02d9.T.\u02d9.U.\u02d9.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Neste regresso ao Todo, que \u00e9 a procura da Palavra Perdida, cumpre-se o destino da F.\u02d9.M.\u02d9.: podemos ir para al\u00e9m de Babel, ultrapassar as diferen\u00e7as de l\u00edngua, cultura, etnia, ir para al\u00e9m da separa\u00e7\u00e3o original e redescobrir o poder de nos compreendermos para al\u00e9m das l\u00ednguas quando nos &#8220;juntarmos&#8221;, reuniremos o que est\u00e1 disperso, reconheceremos plenamente a nossa ess\u00eancia divina e, finalmente, encontraremos a Palavra Perdida.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Foi o que eu disse&#8230;<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>B\u2234 E\u2234 C\u2234<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;No princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. [&#8230;] Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.<\/p>\n<p>O pr\u00f3logo do Evangelho de Jo\u00e3o, um dos livros sagrados da Ma\u00e7onaria&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5840,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[56],"tags":[],"class_list":["post-5839","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-montebelli-pt-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}