{"id":5852,"date":"2015-03-31T09:29:00","date_gmt":"2015-03-31T07:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cglem.org\/ordo-ab-chao\/"},"modified":"2025-06-13T11:15:54","modified_gmt":"2025-06-13T09:15:54","slug":"ordo-ab-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cglem.org\/pt-pt\/montebelli-pt-pt\/ordo-ab-chao\/","title":{"rendered":"Ordo ab Chao"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\">Caro leitor na forma adequada de sauda\u00e7\u00e3o!<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Talvez n\u00e3o haja nenhuma que seja mais delicada e com consequ\u00eancias como esta: ORDO AB CHAO, ordem do caos. Ficamos, por agora, num ambiente profano, a frase evoca imediatamente a ideia da necessidade de estabelecer um conjunto de regras e procedimentos, de conven\u00e7\u00f5es, que, por refer\u00eancia a um modelo ideal de justi\u00e7a, possam regular todo o campo existencial dos indiv\u00edduos para os tirar do estado de desordem e ordenar as suas vidas e os conflitos em que s\u00e3o naturalmente levados a cair. Estabelece, portanto, a necessidade de ordenar a vida das pessoas, sem excluir nenhum dos campos de a\u00e7\u00e3o em que se desenvolve. Pode-se, portanto, falar de uma ordem social\/pol\u00edtica, em rela\u00e7\u00e3o ao modelo organizacional que regula as rela\u00e7\u00f5es entre os cidad\u00e3os e entre as na\u00e7\u00f5es; de uma ordem econ\u00f3mica, com base no modelo de desenvolvimento adotado, e tamb\u00e9m de uma ordem religiosa, com base na influ\u00eancia exercida pelas organiza\u00e7\u00f5es religiosas institucionalizadas, na esfera colectiva e individual. Mas tamb\u00e9m a cultura, as modas, as tend\u00eancias, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, todos juntos contribuem para canalizar o pensamento dos indiv\u00edduos, para que cada um se identifique dentro de modelos sociais bem definidos. Uma das maiores aspira\u00e7\u00f5es da humanidade continua a ser a de procurar e encontrar um contexto em que todos os indiv\u00edduos se possam identificar e em que possam exprimir livremente a sua personalidade. O problema reside na identifica\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros, dentro dos quais todos se podem efetivamente identificar, sentir-se protegidos e respeitados. Como se trata de uma utopia flagrante, recorre-se a um programa de compromisso realista que possa satisfazer o maior n\u00famero poss\u00edvel de indiv\u00edduos (no melhor dos casos), ou seja, que possa responder \u00e0 vontade dos mais fortes e dos mais capazes de se imporem aos outros, como muitas vezes, infelizmente, aconteceu e acontece. A ordem, a organiza\u00e7\u00e3o com as ideias e ideologias que a sustentam, identificam-se no conceito de civiliza\u00e7\u00e3o, de que todo o curso da hist\u00f3ria oferece numerosos exemplos: Pelo contr\u00e1rio, poder\u00edamos dizer que a Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 mais do que a evolu\u00e7\u00e3o, no tempo e no espa\u00e7o, das civiliza\u00e7\u00f5es humanas, do seu nascimento, desenvolvimento e morte; das suas interac\u00e7\u00f5es m\u00fatuas; dos grandes progressos, mas tamb\u00e9m das enormes trag\u00e9dias e males em que a humanidade se envolveu; portanto, em s\u00edntese extrema, a Hist\u00f3ria \u00e9 a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o e da intera\u00e7\u00e3o das ideias do que \u00e9 a ordem e a justi\u00e7a, cujas caracter\u00edsticas comuns se encontram na sua imperman\u00eancia e transitoriedade.        <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Compreende-se, assim, porque \u00e9 que o conceito de ordem \u00e9 t\u00e3o importante no pensamento humano. N\u00e3o \u00e9 de admirar, portanto, que mesmo uma Institui\u00e7\u00e3o, como o Rito Escoc\u00eas Antigo e Aceite, tenha adotado como lema de identifica\u00e7\u00e3o o enunciado ORDO AB CHAO. Mas, desde j\u00e1, afastemos qualquer d\u00favida a este respeito: o facto de a Ma\u00e7onaria se poder reconhecer numa enuncia\u00e7\u00e3o semelhante, e de a indicar como o seu sinal distintivo, n\u00e3o significa que pretenda tornar-se defensora do seu pr\u00f3prio modelo de social. Ordem pol\u00edtica, econ\u00f3mica e religiosa, a ser levada a cabo pelos seus seguidores neste mundo profano, para que este se possa conformar com as ideias ma\u00e7\u00f3nicas. \u00c9 o que dizem os adeptos da teoria da conspira\u00e7\u00e3o, que v\u00eaem conspira\u00e7\u00f5es por todo o lado e pensam que a principal ocupa\u00e7\u00e3o da Ma\u00e7onaria \u00e9 encontrar uma forma de dobrar o mundo \u00e0 sua vontade.    <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Gostaria, pois, de tentar enquadrar, numa perspetiva mais adequada, o que a Ma\u00e7onaria de Rito Escoc\u00eas pretende afirmar neste lema, e para isso n\u00e3o posso deixar de adotar o ponto de vista dos iniciados, que, pelos ensinamentos exot\u00e9ricos que lhe pertencem, \u00e9 o que melhor caracteriza a institui\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f3nica. Esta abordagem ultrapassa a an\u00e1lise das consequ\u00eancias que os fen\u00f3menos examinados t\u00eam no plano material da exist\u00eancia aparente, para se confrontar com o vasto campo de investiga\u00e7\u00e3o da natureza essencial do ser pretendido, quer como indiv\u00edduo, quer como exist\u00eancia em si &#8211; ou seja, como aquilo que \u00e9 -, das suas origens, ou cria\u00e7\u00e3o, e do seu fim \u00faltimo, ou salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho absolutamente a pretens\u00e3o de esgotar o assunto, mas pretendo apenas alimentar as nossas reflex\u00f5es sobre as perguntas que faremos sobre este caso, porque tamb\u00e9m eu estou sempre \u00e0 procura das respostas poss\u00edveis.  <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>ORDO AB CHAO, portanto, mas uma ordem de natureza diferente, porque n\u00e3o corresponde \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de um conjunto de ordens, de leis, de preceitos que regulam a nossa exist\u00eancia, \u00e9 a ades\u00e3o mais ou menos espont\u00e2nea a algo que outros provocaram, n\u00e3o \u00e9 o reconhecimento de verdades reveladas, de dogmas inamov\u00edveis, a manuten\u00e7\u00e3o de um status quo, enquanto for poss\u00edvel. Deve ser, em primeiro lugar, a procura de uma ordem interior, que s\u00f3 pode surgir depois de termos criado sil\u00eancio dentro de n\u00f3s, depois de termos silenciado a turbul\u00eancia das paix\u00f5es, das sensa\u00e7\u00f5es, dos desejos e das ang\u00fastias, do prazer e da dor. S\u00f3 assim poderemos sintonizar os nossos sentimentos com a ordem superior a que respondem todas as manifesta\u00e7\u00f5es c\u00f3smicas, vis\u00edveis e invis\u00edveis, e que estabelece um papel para cada uma delas. Identificamos esta ordem com o projeto do G. A. da U., de quem nos tornamos canais para a realiza\u00e7\u00e3o da sua vontade, mas n\u00e3o sob a forma de obedi\u00eancia cega a uma s\u00e9rie de mandamentos, mas como descoberta e conhecimento de que aquilo que sinto necess\u00e1rio em mim, aquilo que responde \u00e0 minha necessidade interior de ordem, reflecte a sua pr\u00f3pria. N\u00e3o seremos simples executores, mas criaremos em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s o des\u00edgnio da G. A. da U. Porque se tornar\u00e1 o nosso pr\u00f3prio des\u00edgnio, saberemos ent\u00e3o o que \u00e9 correto fazer, da mesma forma que um Mestre encontra naturalmente o seu lugar nas colunas.    <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Poder-se-ia objetar que agir em defer\u00eancia aos mandamentos, em vez de agir porque sentimos o mesmo como algo que se eleva dentro de n\u00f3s, produz os mesmos efeitos para o objetivo da salva\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Em \u00faltima an\u00e1lise, obedecer \u00e9 o que nos \u00e9 exigido, tanto no ambiente social\/pol\u00edtico como no das religi\u00f5es institucionalizadas. No entanto, fazer algo s\u00f3 porque nos mandam fazer, mesmo que com convic\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 considerado justo em todo o caso, leva a uma repeti\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das mesmas coisas, da mesma forma que a natureza prop\u00f5e os seus pr\u00f3prios ciclos, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para uma evolu\u00e7\u00e3o, pois ela nos remete ao que j\u00e1 foi dito, j\u00e1 foi feito. As religi\u00f5es tamb\u00e9m consideram as suas verdades como dadas e definitivas, de modo que os acontecimentos que devem ser conciliados com elas e que devem adaptar-se a elas e n\u00e3o vice-versa. A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada um facto fechado, e o espa\u00e7o que habitamos j\u00e1 est\u00e1 definido em todos os seus aspectos. Para que uma mudan\u00e7a ocorra neste contexto, \u00e9 geralmente necess\u00e1rio que aconte\u00e7a um acontecimento traum\u00e1tico, tal como na natureza toda a evolu\u00e7\u00e3o tem como efeito uma muta\u00e7\u00e3o que transforma o equil\u00edbrio pr\u00e9-existente. Se, pelo contr\u00e1rio, nos libertamos de todos os condicionamentos exteriores para aderir ao que a nossa consci\u00eancia sente como necess\u00e1rio para n\u00f3s, colocamo-nos ao servi\u00e7o de um \u00fanico princ\u00edpio: o da Verdade, para a reproduzirmos em n\u00f3s e, atrav\u00e9s de n\u00f3s, no mundo, tornamo-nos homens livres, capazes de fazer evoluir o nosso pensamento em fun\u00e7\u00e3o do que muda \u00e0 nossa volta, mantendo vivo o substrato de que a nossa consci\u00eancia se serve. O espa\u00e7o est\u00e1 em cont\u00ednua transforma\u00e7\u00e3o, em permanente cria\u00e7\u00e3o, porque em cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a nossa capacidade de adquirir o conhecimento da nossa verdadeira natureza e da verdadeira natureza da G. A. da U. N\u00e3o \u00e9 o ato em si que garante a salva\u00e7\u00e3o, mas o conhecimento impl\u00edcito do ato, que se exprime na nossa maneira de ser. \u00c9 um processo lento, de afina\u00e7\u00e3o, que pode levar \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o entre o sujeito pensante e o objeto pensado, at\u00e9 ao ponto em que o segredo do iniciado ser\u00e1 revelado ao ma\u00e7on adepto e este poder\u00e1 finalmente afirmar: Eu sou o G. A. da U.. Nesta perspetiva, o objetivo final ou a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste em encontrar-se num lugar encantado onde se podem satisfazer os desejos, mas sim na reunifica\u00e7\u00e3o e reintegra\u00e7\u00e3o com a unidade, na condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-separa\u00e7\u00e3o com a G. A. da U.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O que \u00e9 que nos separou, o que \u00e9 que nos mant\u00e9m divididos neste plano? Muitos respondem: o pecado, a desobedi\u00eancia, o destino, o carma, mas n\u00f3s preferimos responder: a ignor\u00e2ncia, o desconhecimento do des\u00edgnio divino, motiva\u00e7\u00e3o para que possamos finalmente conduzir as coisas anteriores. Devemos chegar ao conhecimento do G. A. do U., para reproduzir a ordem que ele estabeleceu para todas as manifesta\u00e7\u00f5es do ser. Mas como reconhecer e repropor essa ordem? O s\u00e9rio risco inerente \u00e0 abordagem kno\u00e9tica da verdade \u00e9 o de continuar a escutar e a sintonizar-se com as frequ\u00eancias do que desejamos mais intensamente, com o que, mesmo a n\u00edvel subconsciente, a influ\u00eancia da cultura, das pessoas pr\u00f3ximas, do ambiente, das experi\u00eancias de vida, nos induzem a reconhecer como justo e verdadeiro. Independentemente de considera\u00e7\u00f5es de ordem moral, porque n\u00e3o \u00e9 necessariamente o que desejamos, representa o mal, em todo o caso, as aspira\u00e7\u00f5es do nosso esp\u00edrito n\u00e3o s\u00e3o a vontade da G. A. da U.. \u00e9 o erro cometido pelo Demiurgo que, tomado pelo desejo de imitar as emana\u00e7\u00f5es do Pai, criou um mundo onde colocou a sua pessoa e o seu desejo no centro, sobrepondo a sua pr\u00f3pria lei \u00e0 do Pai. \u00c9 f\u00e1cil cair num erro semelhante e colocarmo-nos, por nossa vez, como demiurgos que seguem as aspira\u00e7\u00f5es da sua alma, convencidos de que est\u00e3o a repropor a ordem divina. Ultrapassar este filtro e voltar \u00e0 Origem, ao Princ\u00edpio ordenador da exist\u00eancia, \u00e0 matriz de todas as formas, exige um grande esfor\u00e7o de vontade para abandonar todo o crit\u00e9rio de valor pr\u00e9-existente em n\u00f3s, todo o esfor\u00e7o da nossa raz\u00e3o para reduzir as manifesta\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa capacidade de compreens\u00e3o, para permitir \u00e0 nossa consci\u00eancia e \u00e0 nossa intui\u00e7\u00e3o, a possibilidade de perceber a centelha da mensagem primordial e de nos reconhecermos nela. \u00c9 uma mensagem que reverbera por toda a parte, que anima a mat\u00e9ria, que sempre foi mas que se renova e readquire incessantemente uma nova forma, cada vez que a repropomos em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s, transformando e determinando a realidade que nos rodeia. A mente, o pensamento, tem influ\u00eancia sobre a mat\u00e9ria, quer tenhamos consci\u00eancia disso ou n\u00e3o. Podemos continuar a adaptar-nos \u00e0s leis da natureza e a influenciar a sua evolu\u00e7\u00e3o de forma traum\u00e1tica e casual, ou, reconhecendo a necessidade e o objetivo da nossa exist\u00eancia neste plano, podemos recorrer aos planos espirituais para nos reconhecermos no G. A. do projeto do U. e realiz\u00e1-lo. Quando o Id mec\u00e2nico cede o lugar ao Id espiritual, o indiv\u00edduo deixa de fazer o que \u00e9 mais prov\u00e1vel, para fazer um ato de vontade consciente que provoca uma mudan\u00e7a consciente e finalizada, que reprop\u00f5e o ato criador. A chave da salva\u00e7\u00e3o, o objetivo final da cria\u00e7\u00e3o passa necessariamente pela consci\u00eancia da sua origem: do Princ\u00edpio.<br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A abordagem esot\u00e9rica, levada at\u00e9 este ponto, baseia-se na vontade do homem de procurar a Verdade, atrav\u00e9s de um conhecimento introspetivo da sua natureza, do microcosmo interno, tal como est\u00e1 em correspond\u00eancia anal\u00f3gica com o universo externo, o macrocosmo. Baseia-se na convic\u00e7\u00e3o \u00edntima de que a informa\u00e7\u00e3o primordial que ordena todo o universo est\u00e1 inscrita em n\u00f3s e que possu\u00edmos essa mem\u00f3ria, que devemos fazer passar do n\u00edvel subconsciente para o n\u00edvel consciente. N\u00e3o usa a l\u00f3gica como instrumento de investiga\u00e7\u00e3o, mas confia na intui\u00e7\u00e3o; n\u00e3o deduz, mas prova por si pr\u00f3prio; n\u00e3o executa, mas verifica; n\u00e3o acredita, mas sente dentro de si pr\u00f3prio. Compreende-se facilmente que um crit\u00e9rio t\u00e3o subjetivo possa ser considerado absolutamente impr\u00f3prio e pouco fi\u00e1vel, porque n\u00e3o \u00e9 apoiado por provas objectivas. Por outras palavras, n\u00e3o pode ser comparado com um m\u00e9todo cient\u00edfico que oferece dados e respostas seguras \u00e0s quest\u00f5es relativas \u00e0s leis da natureza. Mas ser\u00e1 que \u00e9 assim? Gostaria de tentar fazer uma breve an\u00e1lise das principais teorias cient\u00edficas da f\u00edsica para extrair algumas ideias sobre a representa\u00e7\u00e3o da realidade que elas oferecem.      <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>1900 &#8211; o f\u00edsico alem\u00e3o Max Planck, ao tentar explicar como o campo el\u00e9trico se mant\u00e9m em equil\u00edbrio dentro de uma caixa quente, tem de inserir nas suas equa\u00e7\u00f5es uma hip\u00f3tese at\u00e9 ent\u00e3o impens\u00e1vel: a energia n\u00e3o \u00e9 um unicum cont\u00ednuo, mas viaja em pacotes indivis\u00edveis de propor\u00e7\u00f5es definidas e proporcionais \u00e0 frequ\u00eancia (ou seja, \u00e0 cor) das ondas electromagn\u00e9ticas, a que chama &#8220;quanta&#8221; de energia. Na altura, n\u00e3o conseguia compreender as raz\u00f5es que estavam na base deste comportamento da energia, mas a f\u00f3rmula funciona. <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>1905 &#8211; um desconhecido funcion\u00e1rio do gabinete de patentes de Berna, que responde pelo nome de Albert Einstein, envia para uma revista cient\u00edfica 3 artigos em que exp\u00f5e igual n\u00famero de ideias revolucion\u00e1rias. No primeiro, prova a natureza corpuscular da mat\u00e9ria, ao mesmo tempo que consegue efetuar a medi\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es do \u00e1tomo. Ap\u00f3s 2300 anos, a intui\u00e7\u00e3o de Dem\u00f3crito, o fil\u00f3sofo grego que foi o primeiro a postular a composi\u00e7\u00e3o at\u00f3mica da mat\u00e9ria, foi comprovada. No segundo artigo, explicou o efeito fotoel\u00e9trico, ou seja, a raz\u00e3o pela qual alguns metais, se forem bombardeados por um feixe de luz, emitem electr\u00f5es. \u00c9 o trabalho pelo qual recebeu o Pr\u00e9mio Nobel: para explicar o fen\u00f3meno, teve de confirmar a hip\u00f3tese de Plank de que mesmo essa onda electromagn\u00e9tica particular, a que chamamos luz, est\u00e1 dividida em &#8220;Quanta&#8221;, em corp\u00fasculos de luz, a que deu o nome de fot\u00f5es. No terceiro artigo, ilustrou a primeira vers\u00e3o do que viria a ser a sua obra-prima: a Teoria da Relatividade.     <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Dois acontecimentos cujos desenvolvimentos posteriores iriam mudar para sempre, n\u00e3o s\u00f3 o conhecimento emp\u00edrico de toda a humanidade, mas tamb\u00e9m a forma de fazer ci\u00eancia e de interpretar a realidade. At\u00e9 ent\u00e3o, a mec\u00e2nica newtoniana era unanimemente aceite e, segundo ela, o universo era constitu\u00eddo por um recipiente chamado espa\u00e7o, no interior do qual os corpos se moviam, atra\u00eddos uns pelos outros por uma for\u00e7a chamada gravidade, que se transmite instant\u00e2nea e diretamente de um para o outro e que os obriga a abandonar o movimento linear. Tudo isso acontece ao longo do eixo de uma medida absoluta chamada tempo, com base na qual cada evento pode ser classificado como tendo acontecido antes ou depois em rela\u00e7\u00e3o aos outros. No \u00e2mbito da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica, dadas as condi\u00e7\u00f5es iniciais de um sistema f\u00edsico, \u00e9 poss\u00edvel conhecer com exatid\u00e3o as suas evolu\u00e7\u00f5es futuras, no espa\u00e7o e no tempo. Para al\u00e9m da gravidade, existe uma outra for\u00e7a que rege quase todos os fen\u00f3menos da natureza: a for\u00e7a electromagn\u00e9tica. Por volta de meados do s\u00e9culo XVIII, estuda-se a eletricidade e o magnetismo, e um g\u00e9nio vision\u00e1rio chamado Faraday imagina que as for\u00e7as n\u00e3o podem ser transmitidas instantaneamente de um corpo para outro, mas que s\u00e3o transmitidas e percorrem uma densa rede de &#8220;linhas de for\u00e7a&#8221; a que hoje chamamos &#8220;campo&#8221;, que, interpondo-se entre as fontes el\u00e9ctricas e magn\u00e9ticas, as modifica e, da mesma forma, \u00e9 modificado. Mas ser\u00e3o linhas verdadeiras? Como \u00e9 que os podemos ver? Com base na intui\u00e7\u00e3o de Faraday, o grande matem\u00e1tico escoc\u00eas James C. Maxwell formulou, numa s\u00e9rie de equa\u00e7\u00f5es, a a\u00e7\u00e3o dos campos e da for\u00e7a electromagn\u00e9tica. A primeira consequ\u00eancia \u00e9 a descoberta de que o magnetismo e a eletricidade s\u00e3o dois aspectos de uma \u00fanica for\u00e7a, o que explica uma s\u00e9rie espantosa de fen\u00f3menos, incluindo o funcionamento dos \u00e1tomos e a forma como as part\u00edculas se mant\u00eam juntas, mas a descoberta mais bela \u00e9 que as equa\u00e7\u00f5es explicam o que \u00e9 a luz. Eles destacam como as linhas de for\u00e7a de Faraday podem vibrar e ondular como as ondas do mar, e que correm a uma velocidade que Maxwell calcula e que \u00e9 igual \u00e0 da luz! Portanto, n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o reais como &#8220;vemos&#8221; apenas as linhas de Faraday que vibram, e n\u00e3o \u00e9 tudo: podem vibrar com uma intensidade diferente e essas frequ\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o mais do que as cores do espetro da luz vis\u00edvel, mas tamb\u00e9m podem produzir ondas com frequ\u00eancias que nunca tinham sido vistas at\u00e9 ent\u00e3o&#8230;. ser\u00e1 Hertz quem descobrir\u00e1 estas ondas, com as quais Marconi construir\u00e1 o primeiro r\u00e1dio.           <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Com base nestas premissas, Einstein reformulou completamente a mec\u00e2nica newtoniana: Com a teoria da relatividade especial de 1905, Einstein colocou a hip\u00f3tese de que o tempo e o espa\u00e7o n\u00e3o s\u00e3o duas dimens\u00f5es absolutas e independentes, mas est\u00e3o ligados para formar uma dimens\u00e3o chamada espa\u00e7o-tempo, que, com base no postulado da const\u00e2ncia da velocidade da luz (independentemente da velocidade da fonte de emiss\u00e3o e do estado de movimento do observador), mant\u00e9m a validade das leis f\u00edsicas em todos os sistemas de refer\u00eancia, isto significa que dois observadores em dois sistemas diferentes, em movimentos relativos entre si, perceber\u00e3o, um em rela\u00e7\u00e3o ao outro, valores diferentes de espa\u00e7o e tempo, permitindo (para velocidades significativas, pr\u00f3ximas da da luz) o fen\u00f3meno da contra\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do tempo. Os dois observadores n\u00e3o poder\u00e3o perceber a simultaneidade dos acontecimentos, porque, de acordo com a sua velocidade relativa, ver\u00e3o os factos em tempos diferentes: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estabelecer um antes ou um depois absolutos. Ao mesmo tempo, temos uma dilata\u00e7\u00e3o do tempo presente, para um observador, igual ao tempo que a luz necessita para transportar a informa\u00e7\u00e3o de um acontecimento (para um habitante da Terra este presente alargado dura: alguns segundos da Lua, 15 minutos de Marte, 2 milh\u00f5es de anos da constela\u00e7\u00e3o de Andr\u00f3meda). A nossa ideia de um presente e de uma sucess\u00e3o de acontecimentos deve-se apenas aos limites das nossas percep\u00e7\u00f5es. A tradi\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica sempre sustentou que, quando nos referimos \u00e0 totalidade do ser (o universo inteiro?), n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para falar de um antes e de um depois, mas sim de um eterno presente onde tudo est\u00e1 em contexto. Em 1915, ap\u00f3s 10 anos de gesta\u00e7\u00e3o, a teoria de Einstein encontra a sua conclus\u00e3o com a formula\u00e7\u00e3o da relatividade geral: o \u00faltimo basti\u00e3o da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica, que se relacionava com o espa\u00e7o e a gravidade. Einstein tem uma grande intui\u00e7\u00e3o ao compreender que o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o campo gravitacional, que se dobra e curva sob o efeito da massa da mat\u00e9ria. N\u00e3o estamos imersos num recipiente vazio, mas o espa\u00e7o, ou melhor, o espa\u00e7o-tempo \u00e9 como um molusco flex\u00edvel (\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de Einstein) que se deforma devido ao peso da mat\u00e9ria, e s\u00e3o estas deforma\u00e7\u00f5es que definem as \u00f3rbitas dos planetas. \u00c9 uma simplifica\u00e7\u00e3o impressionante do mundo: ele \u00e9 feito apenas de campos e part\u00edculas, todos elementos materiais que se movem, ondulam, dilatam e dobram. Nesta vis\u00e3o, o espa\u00e7o-tempo alonga-se e encurta-se com base nas massas pr\u00f3ximas: n\u00e3o est\u00e1 apenas em rela\u00e7\u00e3o com as diferentes velocidades relativas dos observadores. A distor\u00e7\u00e3o do tempo torna-se objetiva: flui mais lentamente na proximidade das grandes massas, a relatividade geral prev\u00ea tamb\u00e9m que o espa\u00e7o-tempo n\u00e3o \u00e9 fechado mas expande-se e a expans\u00e3o teve origem na explos\u00e3o de um universo min\u00fasculo e extremamente quente: \u00e9 o Big Bang. Poucos queriam acreditar, at\u00e9 ouvirem o grito de Sofia. As cosmogonias gn\u00f3sticas contam que o Pai e as suas emana\u00e7\u00f5es viviam em harmonia no Pleroma, ess\u00eancia da plenitude e da uni\u00e3o. Mas o filho de Sofia tentou imitar a a\u00e7\u00e3o criadora do Pai, mas deu vida ao mundo das dualidades e da divis\u00e3o, fora da plenitude do Pleroma. Quando Sophia, o saber, se apercebeu que o fruto do seu pr\u00f3prio ventre tinha corrompido a ordem divina, emitiu um grito de dor e de esperan\u00e7a, que deveria servir de farol a todos aqueles que quisessem iniciar a busca da unidade perdida, e que ainda ressoa no universo.               Em 1964, os astr\u00f3nomos americanos Arno Penzias e Robert W. Wilson descobriram a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo, que ainda hoje permeia todo o universo. O de Sophia \u00e9 uma met\u00e1fora nascida de um conhecimento antigo, que tinha captado a essencialidade da ordem c\u00f3smica. \u00c9 o que nos diz o Grande. Bang, desde o in\u00edcio, partiu um sinal, uma vibra\u00e7\u00e3o que \u00e9 som e luz, uma mensagem que ainda reverbera em toda a cria\u00e7\u00e3o e que cont\u00e9m toda a informa\u00e7\u00e3o da ordem inicial. Essa informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em toda a mat\u00e9ria; est\u00e1 no espa\u00e7o e no tempo, ambos tamb\u00e9m mat\u00e9ria; est\u00e1 em cada um de n\u00f3s, que somos feitos dessa mesma mat\u00e9ria: uma combina\u00e7\u00e3o de \u00e1tomos e part\u00edculas que os Athanors estelares destilaram, a partir dessa explos\u00e3o inicial. \u00c9 devido \u00e0 limita\u00e7\u00e3o dos nossos sentidos que n\u00e3o podemos aperceber-nos de toda a val\u00eancia: um observador que, desde o in\u00edcio, viajasse \u00e0 velocidade da luz, encontrar-se-ia nos limites da expans\u00e3o do espa\u00e7o-tempo e estaria a viver um presente cont\u00ednuo com a perce\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea de tudo o que, para o universo, foi e ainda deve ser.     <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Do imensamente grande ao imensamente pequeno. Os estudos qu\u00e2nticos de Plank, levados a cabo pelo f\u00edsico dinamarqu\u00eas Niels Bohr, e por outros f\u00edsicos brilhantes, que criaram uma nova mec\u00e2nica denominada qu\u00e2ntica, Bohr foi o primeiro a colocar a hip\u00f3tese de que at\u00e9 a energia dos electr\u00f5es era &#8220;quantizada&#8221;, isto \u00e9, s\u00f3 podia assumir determinados valores discretos, e que estes s\u00f3 podiam saltar de uma para outra das \u00f3rbitas at\u00f3micas permitidas (saltos qu\u00e2nticos). Em 1925, a mudan\u00e7a: Heisenberg formula as primeiras equa\u00e7\u00f5es da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica ao colocar a hip\u00f3tese de que os electr\u00f5es n\u00e3o existem sempre, mas que se materializam apenas quando interagem com outro sistema, atrav\u00e9s de saltos qu\u00e2nticos, que s\u00e3o os \u00fanicos momentos em que s\u00e3o reais. Entre um salto e outro, quando ningu\u00e9m interage com eles, n\u00e3o est\u00e3o num lugar preciso, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar com precis\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o e a velocidade, mas apenas crit\u00e9rios probabil\u00edsticos. Nem sequer \u00e9 poss\u00edvel determinar com precis\u00e3o onde o eletr\u00e3o ir\u00e1 reaparecer. A probabilidade toma o lugar do determinismo cl\u00e1ssico. A realidade material n\u00e3o \u00e9 objetiva, mas depende das interac\u00e7\u00f5es entre o sujeito e o objeto. A mec\u00e2nica qu\u00e2ntica n\u00e3o descreve as caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas de um sistema f\u00edsico, mas apenas a forma como esse sistema f\u00edsico \u00e9 percepcionado por outro sistema f\u00edsico, que, com a sua intera\u00e7\u00e3o, modifica a evolu\u00e7\u00e3o do primeiro. A realidade s\u00f3 pode ser percebida como intera\u00e7\u00e3o.        <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Entretanto, s\u00e3o descobertas novas part\u00edculas elementares (neutrinos, quarks, bos\u00f5es, glu\u00f5es, positr\u00f5es), cuja natureza \u00e9 descrita pela mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Com efeito, n\u00e3o s\u00e3o part\u00edculas, nem corp\u00fasculos: s\u00e3o os quanta de energia dos respectivos campos, como o fot\u00e3o \u00e9 o quantum do campo eletromagn\u00e9tico. Assumem a natureza de part\u00edculas ou de ondas em fun\u00e7\u00e3o do sistema com o qual se relacionam, ou melhor, em fun\u00e7\u00e3o da natureza do sistema com o qual se relacionam, esperamos que assumam. Para o efeito, a experi\u00eancia da dupla fenda \u00e9 esclarecedora. Se fizermos passar uma corrente de electr\u00f5es ou fot\u00f5es atrav\u00e9s de uma fenda, no ecr\u00e3 colocado atr\u00e1s identificamos a sua natureza de part\u00edculas. Se a fizermos passar atrav\u00e9s de duas fendas para o mesmo painel, observamos, no ecr\u00e3 atr\u00e1s, as interfer\u00eancias t\u00edpicas que as ondas criam (como as do mar quando passam por um estreito: depois dele, sobrep\u00f5em-se e interferem entre si). Depois, se apenas um eletr\u00e3o ou um fot\u00e3o puder passar de cada vez por uma \u00fanica fenda, notamos novamente a natureza corpuscular. Mas, e isto \u00e9 que \u00e9 extraordin\u00e1rio, o mesmo eletr\u00e3o ou fot\u00e3o disparado contra um painel com duas fendas, no painel atr\u00e1s dele produziu a mesma interfer\u00eancia de ondas, como se tivesse passado pelos dois orif\u00edcios! Ao mudarmos a forma como olhamos para um acontecimento f\u00edsico, mudamos tamb\u00e9m a natureza do acontecimento; n\u00e3o s\u00f3 a realidade se manifesta apenas quando a observamos, ou seja, quando interagimos com ela, como tamb\u00e9m definimos &#8220;a forma de manifesta\u00e7\u00e3o&#8221;.        <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Podemos continuar a afirmar que a ci\u00eancia \u00e9 apenas exatid\u00e3o e determinismo, uma descri\u00e7\u00e3o objetiva da realidade, enquanto o pensamento e a consci\u00eancia, invocados pela tradi\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica, s\u00e3o apenas fantasias, sem qualquer ponto de contacto com a realidade objetiva? O que \u00e9 real, o que \u00e9 objetivamente assim? O f\u00edsico James Jeans (1877 &#8211; 1946), no livro &#8220;O Universo Misterioso&#8221;, escreve: &#8220;a corrente da consci\u00eancia vai em dire\u00e7\u00e3o a uma realidade mec\u00e2nica: o universo come\u00e7a a assemelhar-se cada vez mais a um grande pensamento do que a uma grande m\u00e1quina. A mente n\u00e3o parece ser um intruso acidental no reino da mat\u00e9ria (&#8230;.), mas deve ser recebida como o criador e o governador do reino da mat\u00e9ria.   <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>De Broglie foi o primeiro a colocar a hip\u00f3tese da natureza ondulat\u00f3ria da mat\u00e9ria, hoje universalmente aceite. Vimos como as linhas de for\u00e7a dos campos oscilam e como as part\u00edculas elementares na base de toda a mat\u00e9ria n\u00e3o s\u00e3o mais do que as vibra\u00e7\u00f5es dos respectivos campos, onde flutuam continuamente entre existir e n\u00e3o existir. A vibra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais do que um som, e toda a tradi\u00e7\u00e3o cabal\u00edstica se baseia no pressuposto de que as letras do alfabeto hebraico est\u00e3o associadas a vibra\u00e7\u00f5es especiais que est\u00e3o na base da cria\u00e7\u00e3o e da transforma\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Tudo tem o seu pr\u00f3prio nome, no sentido em que corresponde a um som\/vibra\u00e7\u00e3o preciso que o &#8220;chamou \u00e0 exist\u00eancia&#8221;. Pensemos no livro do G\u00e9nesis, onde se diz que Deus conduziu at\u00e9 Ad\u00e3o os animais que tinha modelado para lhes dar &#8220;um nome&#8221;: qualquer que fosse o nome que lhes desse, esse seria o seu nome, de modo que seriam o resultado da vibra\u00e7\u00e3o correspondente ao seu nome. Para a Cabala, os nomes e as coisas s\u00e3o semelhantes a &#8220;chamas tremulantes&#8221; que nascem de uma \u00fanica raiz: o nome de Deus, que tem infinitas variantes, mas todas impronunci\u00e1veis.     <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A vis\u00e3o probabil\u00edstica da realidade, tal como \u00e9 apresentada pela f\u00edsica qu\u00e2ntica, evoca uma ordem subjacente a essa mesma realidade que existe potencialmente em todas as formas poss\u00edveis, e que depois encontra a sua express\u00e3o numa ordem exterior, fruto de uma das muitas express\u00f5es poss\u00edveis. Deve-se ao f\u00edsico David Bohm a vis\u00e3o de um universo convencional, onde existe um plano impl\u00edcito em que tudo \u00e9 pura energia que cont\u00e9m toda a manifesta\u00e7\u00e3o potencial. Nela se formam as implica\u00e7\u00f5es, ou seja, as instru\u00e7\u00f5es, a mensagem e a matriz do que depois encontra forma na ordem expl\u00edcita, que \u00e9 a realidade fenom\u00e9nica. A transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o entre uma ordem implicada e uma ordem explicada n\u00e3o se efectua atrav\u00e9s de uma passagem f\u00edsica entre dois mundos separados, mas atrav\u00e9s de uma &#8220;resson\u00e2ncia&#8221;, de um &#8220;holo-movimento&#8221;, como ele o define, de modo que toda a informa\u00e7\u00e3o original \u00e9 instantaneamente transferida em qualquer uma das v\u00e1rias formas que se tornam reais.   <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Uma liga\u00e7\u00e3o n\u00e3o local, a uma velocidade superior \u00e0 da luz (que, na f\u00edsica einsteiniana, representa antes o limite de velocidade a que podem viajar), que encontra hoje uma confirma\u00e7\u00e3o no fen\u00f3meno do Emaranhamento. As part\u00edculas do mundo vis\u00edvel para n\u00f3s n\u00e3o s\u00e3o, portanto, entidades individualmente fragmentadas, mas extens\u00f5es de uma \u00fanica totalidade fundamental; os reflexos emitidos por uma \u00fanica luz s\u00e3o muitos. De acordo com Bohm, vivemos num universo in-formado, onde as manifesta\u00e7\u00f5es no plano sensorial, por mais numerosas que possam ser, s\u00e3o apenas um reflexo de uma \u00fanica realidade subjacente. O exemplo dos peixes do aqu\u00e1rio \u00e9 famoso. Suponhamos que temos duas c\u00e2maras de televis\u00e3o que filmam um peixe num aqu\u00e1rio: uma \u00e0 frente e outra ao lado. Se nos detivermos nas duas imagens transmitidas aos dois monitores. Poder\u00edamos pensar que temos dois peixes diferentes, dado o \u00e2ngulo diferente a partir do qual s\u00e3o filmados pelas c\u00e2maras. Em vez disso, quando o peixe se move, as c\u00e2maras transmitem o movimento instantaneamente, e um observador que ignore a situa\u00e7\u00e3o real pode pensar que os &#8220;dois&#8221; peixes se est\u00e3o a mover simultaneamente, quando na realidade s\u00e3o imagens diferentes de uma \u00fanica realidade subjacente. O instrumento de que todos os seres disp\u00f5em para compreender a Verdade \u00e9 dado pela consci\u00eancia, que cria um la\u00e7o direto entre a ordem impl\u00edcita e a ordem explicitada, para que um se reconhe\u00e7a no outro, para que cancelem a apar\u00eancia para desvendar a ordem real do ser. Estas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o vos parecem familiares?         <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>A teoria da relatividade geral e a teoria qu\u00e2ntica padr\u00e3o das part\u00edculas. Dois monumentos que mudaram a perce\u00e7\u00e3o do mundo tamb\u00e9m para a ci\u00eancia. Duas teorias constru\u00eddas sobre equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas com base nas quais se previram muitos fen\u00f3menos, que foram comprovados pelos factos (um para todos: a descoberta do anti-eletr\u00e3o ou positr\u00e3o, foi prevista pelas f\u00f3rmulas de Dirac. Um pouco mais tarde, essas part\u00edculas foram identificadas: \u00e9 a descoberta da anti-mat\u00e9ria). Duas teorias que funcionam. S\u00e3o, portanto, exactas? Mesmo as f\u00f3rmulas de Ptolomeu para calcular as \u00f3rbitas dos planetas funcionam, mesmo a f\u00f3rmula de Newton, e, no entanto, as suas representa\u00e7\u00f5es das realidades subjacentes foram sucessivamente confirmadas e substitu\u00eddas por outras vis\u00f5es. O estado de compreens\u00e3o da Verdade \u00e9, portanto, um processo cont\u00ednuo em fun\u00e7\u00e3o do conhecimento que dela temos. Enquanto esse conhecimento n\u00e3o se estender aos graus sucessivos, o que sabemos pode parecer parcial, mas de qualquer modo verdadeiro. Quero dizer que, em todas as \u00e9pocas, o que se &#8220;acreditava&#8221; ser verdade, era-o porque era o que as capacidades humanas permitiam na altura. Mas tamb\u00e9m quero dizer que n\u00e3o podemos acreditar que conhecemos a Verdade por causa disso, como infelizmente muitas, demasiadas organiza\u00e7\u00f5es de todos os tipos afirmam. \u00c9 por isso que devemos cultivar a d\u00favida, \u00e9 por isso que devemos ser tolerantes, que eu interpreto como um convite para que todos cultivem as suas d\u00favidas e sigam as suas intui\u00e7\u00f5es.          <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>O que sabemos \u00e9 verdade, mas n\u00e3o \u00e9 a Verdade. A Teoria da Relatividade Geral e a Teoria Qu\u00e2ntica Padr\u00e3o das Part\u00edculas s\u00e3o verdadeiras, mas incompat\u00edveis entre si: para Einstein o mundo \u00e9 um espa\u00e7o curvo onde tudo \u00e9 cont\u00ednuo. Para a teoria qu\u00e2ntica, o mundo \u00e9 um espa\u00e7o plano onde tremem &#8220;quanta&#8221;, pacotes acabados de energia. A ci\u00eancia est\u00e1 a fazer muitas tentativas para integrar as duas teorias numa \u00fanica teoria de tudo para a unifica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as. Falamos da Teoria das Cordas, onde se prev\u00eaem 11 dimens\u00f5es (as mesmas que as Sephirot!), de multi-versos, de gravidade qu\u00e2ntica em la\u00e7o. Esta \u00faltima teoria prop\u00f5e uma vis\u00e3o interessante. Abandona o espa\u00e7o cont\u00ednuo e assume a forma formada por quanta, part\u00edculas gravitacionais que n\u00e3o est\u00e3o no espa\u00e7o, mas &#8220;s\u00e3o&#8221; espa\u00e7o, que se forma, se materializa pela sua intera\u00e7\u00e3o com outras part\u00edculas. Mas o mais inovador \u00e9 que, das f\u00f3rmulas, desaparece a vari\u00e1vel tempo, no sentido em que o tempo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um elemento externo do mundo a que os acontecimentos se referem, mas nasce totalmente dentro do mundo, \u00e9 tamb\u00e9m o resultado da intera\u00e7\u00e3o entre part\u00edculas. O tempo nasce no mundo e \u00e9 funcional ao sistema para o qual nasce. N\u00e3o existe mais, um espa\u00e7o que cont\u00e9m o mundo. O tempo e o espa\u00e7o n\u00e3o existem, exceto em fun\u00e7\u00e3o das necessidades de um sistema f\u00edsico para se exprimir em rela\u00e7\u00e3o a outros sistemas f\u00edsicos. Mais uma vez, um mundo feito de rela\u00e7\u00f5es e n\u00e3o de coisas.           <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Como \u00e9 que tudo isto se relaciona com o que os nossos sentidos normalmente nos transmitem sobre a passagem do tempo, a sucess\u00e3o dos acontecimentos, a consist\u00eancia da mat\u00e9ria e a mesma possibilidade de, dadas certas condi\u00e7\u00f5es, os sistemas evolu\u00edrem de acordo com leis determin\u00edsticas e n\u00e3o probabil\u00edsticas, como ensina a f\u00edsica qu\u00e2ntica? A resposta reside no conceito de rela\u00e7\u00e3o. Mesmo quando a tradi\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica afirma que o tempo e o espa\u00e7o n\u00e3o existem, n\u00e3o pretende negar a experi\u00eancia dos fen\u00f3menos, nem a f\u00edsica diz que cada sistema da f\u00edsica n\u00e3o tem a sua pr\u00f3pria realidade intr\u00ednseca. Pretendem antes dizer que, uma vez que todos os sistemas existem como intera\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com outros, com os quais entram em rela\u00e7\u00e3o e com os quais podem entrar em rela\u00e7\u00e3o. Isto tamb\u00e9m \u00e9 verdade para o homem: \u00e9 verdade que a n\u00edvel sub-at\u00f3mico tudo \u00e9 probabil\u00edstico e tudo pode acontecer, mas acontece quando os sistemas entram em rela\u00e7\u00e3o connosco, e quando entramos em rela\u00e7\u00e3o, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que nos aconte\u00e7a o que \u00e9 mais prov\u00e1vel, tendo em conta os poucos aspectos com os quais nos relacionamos. Se pud\u00e9ssemos entrar em rela\u00e7\u00e3o com mais ou mesmo com todos os aspectos de um sistema, ou de uma forma diferente da atual, ent\u00e3o ser\u00edamos capazes de o fazer de uma forma completamente diferente.     <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>Portanto, ao dizer que a realidade ou o tempo n\u00e3o existem, pretendemos dizer que o tempo e a realidade podem n\u00e3o ser apenas como os percebemos no nosso atual n\u00edvel de experi\u00eancia\/conhecimento. Sabemos utilizar apenas uma parte das potencialidades do c\u00e9rebro humano, tal como utilizamos apenas uma parte dos genes do nosso ADN, da mesma forma que no universo existe uma forma de energia e de mat\u00e9ria, ainda hoje designada por escura, cujos efeitos observamos mas que n\u00e3o conseguimos identificar. Ao tomarmos consci\u00eancia de tudo isto, podemos alcan\u00e7ar a capacidade de interagir com a realidade, fundir a nossa mente com a mente universal e ser capazes de nos integrarmos na ordem que a governa. Onde podemos encontrar a energia e a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias para este objetivo? Talvez a resposta j\u00e1 tivesse sido dada h\u00e1 mais de 2500 anos, quando um s\u00e1bio desconhecido escreveu a exorta\u00e7\u00e3o &#8220;Nosce te ipsum&#8221; no front\u00e3o do Templo de Apolo em Delfos.    <br\/><br\/><\/p>\n\n<p>ORDO AB CHAO. Fizemos um exame r\u00e1pido de muitos aspectos ligados \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica e \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, correndo o risco de sermos desorganizados e superficiais. Mas no centro do conceito de Ordem, objeto deste semin\u00e1rio, est\u00e1 a necessidade de trazer para uma unidade, para uma vis\u00e3o unit\u00e1ria e homog\u00e9nea, todos os aspectos que contribuem para definir a nossa perce\u00e7\u00e3o da realidade, da Verdade, de modo a captar a sua ess\u00eancia mais \u00edntima. Mesmo que os caminhos e os campos de aperfei\u00e7oamento sejam m\u00faltiplos, nunca devemos perder de vista o objetivo do conjunto. Caso contr\u00e1rio, corremos o risco de nos tornarmos como os t\u00e9cnicos que, depois de terem desmontado um r\u00e1dio para ver todas as pe\u00e7as, se perguntam para onde foi a m\u00fasica &#8230;&#8230; \u00c9 isto que a Ma\u00e7onaria tenta promover atrav\u00e9s do trabalho da Loja: juntar as experi\u00eancias e as sensibilidades de cada Irm\u00e3o para poder juntar o que est\u00e1 separado, no caminho para a luz que nos une.    <br\/><br\/>Foi o que eu disse&#8230;<br\/><br\/><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-left\">B\u2234 A\u2234 T\u2234<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez n\u00e3o haja nenhuma que seja mais delicada e com consequ\u00eancias como esta: ORDO AB CHAO, ordem do caos. 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